Moradores de rua ganham voz em pesquisa antropológica

A obra marca a estreia da Coleção Marginália de Estudos Urbanos, que pretende promover a difusão de pesquisas empíricas sobre temas urbanos contemporâneos.

Em 22/12/2016 15:50

Texto literário por EdUFSCar

Moradores de rua ganham voz em pesquisa antropológica

Conhecidos como mendigos,andarilhos, mundrungos, trecheiros, pardais,  noias, sans-abri,  homeless ou vagabundos, afigura do morador de rua configura se como um problema público, cuja visibilidade está muito associada ao uso de drogas e à violência urbana. Nesse cenário global, antropólogos do Centro de Estudos da Metrópole lançam novo olhar à vida nas ruas, abordando tanto sua dimensão microssociológica – as formas de viver desses moradores – quanto sua dimensão política, por meio dos programas assistenciais e de controle. O resultado está reunido na coletânea Novas faces da vida nas ruas (378 páginas, R$ 49), organizada por Taniele Rui, Mariana Martinez e Gabriel Feltran, lançamento da EdUFSCar, com apoio da undação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 
O resultado mais relevante é a desnaturalização desse modo usual de pensar a vida nas ruas.  Utilizando a pesquisa etnográfica, os autores conviveram por longos períodos com moradores de diferentes cidades, como São Paulo, Paris, São Bernardo do Campo, São Carlos, Curitiba e Rio de Janeiro. Busca-se descobrir sobre a cidade e o conflito urbano contemporâneo a partir de suas falas, movimentos e histórias. O pressuposto analítico é que se pode aprender com eles. 
As três partes em que o livro está dividido já indicam alguns caminhos: a rua hoje produz  olíticas – internamente, para sobreviver; externamente, para controlá-la, reprimi-la, vigiá-la, ou mesmo a assisti-la, ajudá-la. A rua cria uma miríade de serviços de atendimento – sociais, jurídicos, psicológicos, psiquiátricos, educativos, profissionalizantes, de cuidado em saúde, do higienismo ao sopão, da Cristolândia à cracolândia. A rua alimenta uma série de saberes: da epistemologia à psiquiatria, dos doze passos à redução de danos, do jornalismo à arquitetura e às ciências sociais. 
O tema é gerador de debates e produtor de uma reflexão específica sobre as drogas, um dispositivo que parece oferecer hoje o guarda-chuva para se pensar qualquer questão vinculada às ruas. “O que as narrativas que compõem essa interlocução fazem é nos permitir apreender algo das cidades em que vivemos, e de nossas relações cotidianas nelas – porque é no Moradores de rua ganham voz em pesquisa antropológica cotidiano e nas rotinas que o mundo social se estrutura e se revela”, afirmam os organizadores. 
A obra marca a estreia da Coleção Marginália de Estudos Urbanos, que pretende promover a difusão de pesquisas empíricas sobre temas urbanos contemporâneos. 



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