Antropólogos analisam os diferentes vínculos entre animais e seres humanos

Se até recentemente a presença dos animais nas etnografias se justificava, sobretudo, pelo reconhecimento de sua importância para as interações entre indivíduos, a emergência de novas perspectivas acerca das articulações entre natureza e cultura conduziram à consideração dos animais como participantes ativos das relações sociais envolvendo seres humanos e não humanos.

Em 22/12/2016 16:21

Texto literário por EdUFSCar

Antropólogos analisam os diferentes vínculos entre animais e seres humanos

Se até recentemente a presença dos animais nas etnografias se justificava, sobretudo, pelo reconhecimento de sua importância para as interações entre indivíduos, a emergência de novas perspectivas acerca das articulações entre natureza e cultura conduziram à consideração dos animais como participantes ativos das relações sociais envolvendo seres humanos e não humanos. Diante deste cenário, Ciméa Barbato Bevilaqua e Felipe Vander Velden reúnem, em Parentes, vítimas, sujeitos: perspectivas antropológicas sobre relações entre humanos e animais (446 páginas, R$ 49), lançamento da EdUFSCar em coedição com a Editora UFPR, instigantes trabalhos de pesquisadores que vêm abordando múltiplas formas como coletivos humanos e animais se encontram e se conectam em cenários rurais e urbanos. O livro divide-se em cinco partes. A primeira trata de Domesticidades, parentescos, genealogias, fazendo uma reflexão sobre a relação entre humanos e animais de estimação e, como contraponto às perspectivas que visam conter a reprodução de animais domésticos, apresenta a celebração da fertilidade no universo da criação de gado de elite. Também destaca a constituição dessa nata de animais com base em critérios que se evidenciam igualmente nos concursos de beleza canina, que promovem a contínua redefinição dos padrões fenotípicos e de “temperamento” das raças institucionalmente reconhecidas. Em Produzir a vida e administrar a morte é retomada a questão antieconômica da pecuária de elite, uma vez que as altas somas movimentadas em leilões e no comércio de sêmen de reprodutores de estirpes prestigiosas podem ser desproporcionais ao seu fim instrumental: o incremento da qualidade da matéria-prima da indústria da carne. Modos de comer, formas de existir fala da alimentação em declinações distintas. A discussão etnograficamente informada sobre o que comer, com quem, com que propósito e com que efeitos se revela particularmente interessante para a compreensão da multiplicidade das formas contextuais e contingentes de constituição de animais e humanos. Já Entre espécies? dialoga com o léxico e a gramática das espécies como conjuntos discerníveis e razoavelmente estáveis em uma reflexão antropológica sobre relações inter ou transespecíficas. A última, sobre Carisma e inimizade, fala sobre os vínculos quando animais guardam distâncias maiores dos afetos engendrados diretamente na relação com diferentes grupos humanos. Ela trata, por exemplo, dos processos judiciais envolvendo ataques de cães. Este volume é povoado por criaturas tão diversas em aparência, capacidades e formas de ação quanto o são as expectativas, interesses e emoções que inspiram: cães, gatos, porcos, chimpanzés, mosquitos, ratos, bois, elefantes. “A lista não é exaustiva, mas suficiente para indicar que as relações entre animais e humanos enfocadas em cada capítulo apresentam singularidades irredutíveis a uma abordagem etnográfica ou teórica unívoca”, afirmam os organizadores.


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