Relação entre escrita acadêmica e identidade é tema de livro da EdUFSCar

Fazer reflexões sobre a escrita acadêmica com foco em grupos minoritários e em suas demandas, utilizando o contexto da presença de estudantes indígenas na UFSCar. Esse é um dos objetivos do livro "Escrita acadêmica e identidade à luz da presença indígena na Universidade Federal de São Carlos", de autoria de Maria Sílvia Cintra Martins e Glaucia Regina Gomes de Carvalho e publicado pela EdUFSCar.

Cadastrado em 26/04/2018 15:08

Entrevista por CCS UFSCar

Relação entre escrita acadêmica e identidade é tema de livro da EdUFSCar

De acordo com Martins, docente do Departamento de Letras (DL) da UFSCar, há alguns anos a temática da escrita acadêmica vem ganhando cada vez mais espaço nos centros de pesquisa nacionais e internacionais. "No Brasil, temos várias pesquisas voltadas ao tema, mas não necessariamente com o nosso foco. Nós temos dois objetivos com o livro: um deles é refletir sobre a questão do que é a escrita acadêmica, que especificidade ela tem em relação às demais e que tipo de trabalho didático-pedagógico tem que ser desenvolvido junto aos graduandos de forma que eles dominem esse tipo de escrita. Já o outro é voltado a chamar a atenção para uma questão particular em diversas universidades: a presença indígena, em cursos de graduação e pós-graduação", descreve a professora.

A pesquisa que deu origem ao livro foi desenvolvida por Carvalho, com orientação de Martins. O estudo teve início no final do ano de 2009 quando estudantes indígenas frequentavam atividades de integração entre ensino, pesquisa e extensão, na UFSCar. "Nessa época, eu atendia muitos alunos indígenas, de diversas áreas do conhecimento, e eles apresentavam questões relacionadas à escrita acadêmica, o que me chamou a atenção", conta Carvalho, que fez seu doutorado em Linguística.

A escrita acadêmica é muito peculiar no que diz respeito ao uso da Língua Portuguesa padrão e aos formatos de textos. Os gêneros típicos desse tipo de escrita são resenha, resumo, relatório, dissertação, tese ente outros, específicos do contexto universitário e, geralmente, os graduandos recém chegados à universidade têm dificuldades em empregá-la. "A pesquisa realizada com os alunos indígenas da UFSCar traz resultados extensivos também a outros grupos da comunidade acadêmica e que, de modo geral, vêm sendo denominados como minoritários, como os afrodescendentes ou estrangeiros. São estudantes que, por questões biográficas e de percurso de estudo, não tiveram tantas oportunidades de dominar esse tipo de escrita previamente ao ingresso na universidade", descreve Martins.

Assim, como é discutido no livro, muitas vezes o aluno não se enxerga nesse tipo de escrita."A nossa grande preocupação é a questão da subjetividade. Quando o estudante pratica os gêneros acadêmicos, ele muitas vezes perde a sensibilidade de colocar aquilo em que acredita, o seu eu, a sua identidade. Ele tem sua maneira própria de escrever, traz crenças e valores que muitas vezes não são bem vistos na Academia", destaca Carvalho.

O livro conta com o prefácio "A escrita acadêmica e as marcas da oralidade", de autoria de Martins; a apresentação que trata da presença indígena na UFSCar; três capítulos ("Estudos do letramento e letramento acadêmico", "A questão da identidade dentro da esfera acadêmica na contemporaneidade" e "Escrita acadêmica à luz da presença indígena na UFSCar"); e fecha com "A universidade e a sua nova identidade: possíveis caminhos a seguir".

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